quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ARTE VISIGÓTICA – ARTE PRÉ ROMÂNICA



Depois da queda do império romano, mongóis, vândalos, suevos, alamos, francos e germânicos, entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros, avançaram definitivamente sobre a Europa. A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros, entre a religiosidade dos primeiros cristãos e a beligerância dos novos senhores.

Este período histórico, conhecido como Alta Idade Média, é caracterizado pela ruralização da sociedade (em oposição à "urbanidade" clássica), por uma economia quase auto-sustentada e de fraca movimentação de trocas comerciais, pelo quase desaparecimento da cultura laica e pelo domínio cultural do clero e, por fim, pela enorme expansão da igreja cristã.

Os traços culturais próprios destes povos, dos povos conquistados e o cristianismo, estiveram na origem de uma arte que se situa entre a arte da antiguidade clássica tardia e o românico e que, por esse motivo, se denomina como pré-românica, não designando um estilo particular.

A arte pré-românica é caracterizada por uma absorção de diversas influências que resultam nas fusões inovadoras entre elementos da cultura clássica com elementos cristãos e germânicos. Não se restringe a uma região específica, mas espalha-se por toda a Europa ao longo vários séculos, destacando-se alguns géneros artísticos próprios.

A Arte visigótica é aquela que designa as expressões artísticas criadas pelos visigodos, que entraram na Península Ibérica em 415 e se tornaram o povo dominante da região, até à invasão dos mouros, em 711. Este período da arte ibérica notabilizou-se pela arquitectura, e ourivesaria.

Os mais significativos dos poucos exemplares sobreviventes da arquitectura visigótica do século VI, em território português, são a Capela de São Frutuoso em Braga e a Igreja de São Gião na Nazaré.

Capela de São Frutuoso de Montélios perto de Braga

Interior da Capela de São Frutuoso de Montélios

Interior da Capela de São Frutuoso de Montélios

Capela de S. Gião - Nazaré
Relevo da Capela de S. Gião - Nazaré
A ourivesaria visigótica desenvolveu-se, essencialmente, em Toledo e é composta principalmente de jóias com motivos geométricos, que foram encontrados em escavações de tumbas.
Tesouro de Guarrazar - Coroa de Recesvinto


Tesouro de Guarrazar - Coroa de Recesvinto - detalhe

O século VIII conheceu, porém, a primeira grande tentativa de reunificação da Europa, a criação do 
Império Carolíngio, sob Carlos Magno. 
Carlos Magno foi a figura política mais poderosa da Alta Idade Média, pois os seus exércitos assumiram o controle de extensos territórios. Carlos foi responsável pela imposição do cristianismo e pelo ressurgimento da arte antiga. 
Este foi coroado, pelo papa, em 800, como imperador do Sacro Império Romano que englobava quase toda a Europa Ocidental.

Estátua de Carlos Magno. O cavalo teria sido reaproveitado de uma estátua clássica
Após sua coroação, tornou-se grande patrono das artes.
A arte carolíngia refere-se à arte do período de Carlos Magno, estendendo-se pelos seus sucessores (entre 780 e 900 d.C.) e alargando a sua influência ao período posterior da arte otoniana.

Esta arte tem uma forte herança germânica, absorve elementos das artes bizantina e islâmica, mas inspira-se na arte romana da Antiguidade Clássica daí ser também conhecida como renascimento carolíngio.

A sua expressão arquitectónica vai incidir na construção religiosa caracterizada por pinturas murais, pelo uso de mosaicos e baixos-relevos surgindo também neste momento a igreja com deambulatório, tipologia que se irá desenvolver ao longo da Idade Média. Uma das mais significativas construções deste período é a Catedral de Aix-la Chapelle (Aachen) na Alemanha.



Interior  da Capela de Aix-la-Chapelle com o deambulatório 


Cúpula da Capela Palatina de  Aix-la-Chapelle

Púlpito da catedral, com painéis de marfim bizantino e inserções de vidro islâmico. um dos painéis representa o deus pagão Baco.

Trono de Carlos Magno na Capela Palatina  de  Aix-la-Chapelle
Os mosaicos da Capela Palatina de Carlos Magno são parecidos com os das primeiras igrejas cristãs de Ravena e Constantinopla. Sabe-se que naquela época, muitas colunas e mármores foram trazidos de Roma para as construções do seu império.

Mosaicos do interior da Cúpula da Capela de Aix-la-Chapelle. Vêem-se as colunas vindas de Roma.
Mosaicos do interior  da Capela de Aix-la-Chapelle 
As artes decorativas assumem também um lugar de relevo, especialmente no que diz respeito à produção de marfins, joalharia e iluminuras, sendo estas últimas caracterizadas por um traçado extremamente dinâmico.
Coroa de Carlos Magno


Frontispício dos Evangelhos de Lindau. C. 870.
Ouro, pedras preciosas e esmalte.


Busto de Carlos Magno

Marfim - capa dos Evangelhos de Lorsch, cerca de 810 

Iluminura, São Mateus Evangelista, c. 800


Mateus redigindo o "seu" Evangelho.
Iluminura de um manuscrito francês dos Evangelhos de Ebbo. séc. IX.



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Alhambra


Em nenhum outro lugar como na Alhambra, o esplendor da civilização árabe brilha tão intensamente.

Enquanto a Europa procurava, lentamente, organizar-se, no início da Idade Média, a magnificência árabe florescia.




A Alhambra está localizada num planalto estratégico, com vista sobre toda a cidade de Granada e campos à sua volta.

Trata-se dum rico complexo de palácios e fortaleza (alcazar ou al-Ksar) que alojava o monarca da Dinastia Nasrida e a corte do Reino de Granada.



O seu elemento mais ocidental é a alcáçova (cidadela); uma posição fortemente fortificada. O resto do planalto é ocupado por vários palácios, cercados por uma muralha defensiva, com diversas torres, algumas defensivas e outras destinadas a proporcionar vistas panorâmicas aos seus habitantes.

Este importante conjunto monumental exibe os mais famosos elementos da arquitectura islâmica em Espanha. Mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem, sendo um testemunho da habilidade dos artesãos muçulmanos da época.

O abastecimento de água é feito através dum canal com 8 km de comprimento, que traz a água do rio Darro.

A maior parte do complexo foi construído, principalmente, entre 1248 e 1354, nos reinados de Ibn-al-Ahmar e dos seus sucessores; a Alhambra é um reflexo da cultura dos últimos anos do reino nasrida, sendo um local onde os artistas e intelectuais procuravam refúgio.

O complexo do palácio foi desenhado para aquele lugar montanhoso, havendo uma perfeita sintonia entre as construções e o ambiente.

A Alhambra foi sendo acrescentada pelos diferentes soberanos muçulmanos que residiram no complexo, no entanto, cada nova secção que foi sendo acrescentada seguia o plano de construir o "Paraíso na Terra". Arcadas, colunatas, fontes com água corrente e tanques reflectores foram usados para aumentar a complexidade estética e funcional. O exterior foi deixado plano e austero.

O seu verdadeiro atractivo, como noutras obras muçulmanas da época, são os interiores, cuja decoração está no cume da arte islâmica.
















Por todo o palácio, as paredes, tetos, chão, portas e janelas foram cobertos com padrões decorativos.











Podem visitar-se: salas totalmente decoradas de cima a baixo, com tetos de madeira esculpida, gesso a formar "estalactites", azulejos de diversos padrões, placas de gesso moldadas nas paredes e janelas com gelosias a lembrar filigrana; pátios ao ar livre com fontes e cursos de água, borbulhando como um oásis no deserto; jardins exuberantes e água, água por toda a parte.

Água – o bem tão raro e precioso na maioria do mundo islâmico - o mais puro símbolo da vida é usado profusamente na decoração da Alhambra: em lagos, fontes, repuxos, por todo o lado ela flui, gotejando, correndo, misturando os seus murmúrios no ambiente.








A Alhambra é também um local de poesia, pois na sua decoração entra a caligrafia, de versículos do Alcorão e outros poemas adequados aos diversos locais. É, mesmo, possível em sentido literal “ler a Alhambra” descobrindo o verdadeiro sentido da arquitectura palaciana dos nasridas.






Poetas muçulmanos descrevem a Alhambra como "uma pérola encastrada em esmeraldas", em alusão à cor dos seus edifícios e à dos bosques que os rodeiam.







Todo este extraordinário conjunto envolve o visitante num ambiente etéreo, de fantasia quase mágico.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mesquita de Córdova - A arte de Al- Andalus


A arte hispano-muçulmana é a arte islâmica desenvolvida no Al-Andalus, isto é na Península Ibérica, entre os séculos VIII e XV. Tem como principais expoentes a Mesquita de Córdova e a Alhambra de Granada.

A invasão muçulmana da península Ibérica, em 711, pelos Árabes mudou a inércia histórica da sociedade visigótica nas terras peninsulares.


O Al-Andalus, como passou a ser denominada a Hispânia muçulmana, manteve umas condições culturais distintas, tanto do Islão oriental como do contexto europeu dessa data.


Essas condições perduraram até a conquista do Reino de Granada em1492. Mas, ao mesmo tempo, esta singularidade geográfica e cultural constituiu um dos factores que repercutiram decisivamente no despertar da Europa, após os séculos de desunião e apatia que se seguiram à queda do Império Romano do Ocidente e às invasões bárbaras.

Do ponto de vista artístico, o Emirato de Córdova empregou um estilo que não difere em demasia do restante mundo islâmico. Ou seja, a adequação de fórmulas e elementos das culturas que os precederam, neste caso a do mundo romano e visigodo. Em nenhum momento se produziu uma repetição literal de motivos e formas; ao contrário, a sua incorporação e assimilação traduziu-se numa verdadeira manifestação criadora. Nele fundiram-se elementos da tradição local hispano-romano-visigótica com os elementos orientais: bizantinos ou do islão oriental.    

Os edifícios artísticos centram-se na sua capital, Córdova, onde se construiu uma mesquita destinada a tornar-se no monumento mais importante do ocidente islâmico.


  


É considerada como o monumento supremo da arte califal, e o fantástico bosque de colunas e arcadas do seu interior é um dos espaços mais belos que se foram construídos como casa de oração.


Este grande templo muçulmano mostra a sua magnificência em todo o lado. Bastam como exemplos a cúpula octogonal, ricamente decorada com mosaicos policromos; e dezenas de detalhes singulares que rematam o conjunto; o mihrab, o lugar para onde devem olhar os que oram, possui una deslumbrante decoração com mármores lavrados e mosaicos bizantinos.

Decoração da entrada do Mirahb
A orientação do mihrab curiosamente, não está voltada para Meca. 


Cúpula da Maxura
Com efeito, a mesquita de Córdoba é única.Na vista aérea da mesquita de Córdoba, apreciam-se as diferentes modificações que sofreu ao longo dos séculos: a Catedral cristã levantada exactamente no centro da grande nave de colunas que foi ampliada em diferentes reinados, está rodeada de muros que lhe dão um aspecto exterior de fortaleza .