domingo, 3 de julho de 2011

Arte Bizantina Russa

A história da arte russa começa com a conversão da Rússia ao cristianismo.
É claro que, antes deste período, já existiam artistas primitivos que nos legaram curiosas gravuras em pedra, depois muito mais tarde surgiram artesãos talentosos, que construíam instrumentos de percussão – as harpas e outros que inventavam ornamentos diferentes para decorar as roupas, esculturas de estatuetas de animais e ídolos de pedra.
Santa Sofia da Kiev
Depois da conversão, a Rússia começou a tomar contacto com a arte bizantina. As suas igrejas cristãs mais antigas, especialmente as de Kiev, foram construídas e decoradas com ornamentos e mosaicos que respeitam os cânones bizantinos. Durante anos, os russos foram aprendizes, enquanto o verda­deiro trabalho esteve a cargo de arquitectos bizantinos.
As antigas catedrais em Novgorod e Vladimir, têm elementos bizantinos e da cultura romana ocidental, no seu “design” e decoração, devido às relações comerciais com o Ocidente.
Os anos foram passando. Os Russos começaram a construir igrejas com as suas próprias mãos; as obras que construíram eram muito originais, tanto em relação ao Império Bizantino como ao Ocidente.
Apesar de terem certos traços estrangeiros, foram construídas de acordo com o estilo nacional. Os aprendizes russos estavam à procura do seu próprio estilo e come­çaram a preocupar-se em construir igrejas criando o seu próprio estilo.
Kremlin de Suzdal
A Igreja da Intersecção da Santa Virgem em Nerl, construída em 1165, é um belo exemplo disso mesmo.
Mais tarde, Ivan III, o Grande convidou mestres italianos de Florença e Veneza.
Eles reproduziram as estruturas antigas de Vladimir em catedrais do Kremlin de Moscovo: Assunção ou Dormição e Arcanjo, igrejas de calcário branco.
Depois, os artesãos russos começa­rem a recorrer a ideias e a elementos que encontraram na arquitectura nacional do passado, obtendo traçados originais. São exemplos disso, as muralhas do Kremlin de Moscovo, a Igreja da Ascensão do Cristo em Kolomenskoye, Moscovo, e as igrejas de madeira em Kizhi – a forma e até os ornamentos são completamente originais. Abandonaram o calcário difícil de obter e passaram a construir em tijolos.
Catedral do Nerl
 A Catedral de São Basílio em Moscovo um edifício feérico que surpreende pela sua imprevisibilidade, complexidade e beleza. O projecto do edifício, com a  forma das chamas de uma fogueira subindo ao céu,  não tem nada de semelhante no domínio da arquitectura mundial.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Rochedos Coroados por Mosteiros







Mosteiros de Meteora – Determinação e Misticismo

Há 600 anos, religiosos do Monte Athos dirigiram-se para a região grega da Tessália (considerada pela mitologia como a morada dos deuses e também o país dos Centauros), e passaram a viver isolados nas cavernas das rochas de Meteora, que em grego significa “rochas suspensas” ou “colunas do céu”.




O número de monges foi aumentando e a sua determinação na defesa da fé, contra os ataques dos turcos, conduziu-os à construção de surpreendentes mosteiros.


Assim, durante séculos, nesta região da Grécia, mais de vinte mosteiros foram erguidos, dos quais cinco sobrevivem habitados. Os monges encontraram nos rochedos inacessíveis de Meteora um refúgio ideal, surgindo assim, nos topos dos rochedos de arenito, os incríveis Mosteiros de Meteora.


É espantoso, que alguém tenha conseguido fazer tais construções, num lugar de tão difícil acesso. Este inacreditável complexo de mosteiros nas rochas, parece uma visão da mística idade média...


No interior dos mosteiros é possível admirar numerosas pinturas murais nas igrejas, salas de orações e outros espaços, manuscritos, com belíssimas capas gravadas a ouro e prata, colecções de cruzes e inúmeros objectos litúrgicos. No exterior vemos construções simples, de tijolo e madeira, mas de grande beleza.


Ninguém sabe, seguramente, como os primeiros eremitas chegaram ao topo das montanhas, ou como os materiais de construção foram içados. Sabe-se que eram utilizadas escadas removíveis. Em 1536 foi criado um sistema mecânico, que era usado para subir pessoas, alimentos e outros materiais numa espécie de cestos de rede.


Só, em 1920, foram construídas longas e estreitas escadas de acesso, esculpidas nas rochas. Hoje há teleférico para fazer a travessia de uma rocha a outra, mas os velhos trilhos de épocas medievais, ainda podem ser encontrados nas montanhas de Meteora.


Este lugar impressionante, montes, vales revestidos de florestas e o conjunto de imensas rochas de arenito com os mosteiros no topo, em 1988, tornou-se Património Mundial da Unesco.


A UNESCO caracterizou Meteora como um "monumento da humanidade que tem que ser mantido". Os mosteiros não pertencem apenas à Grécia, mas também a todo o mundo, eles representam uma união única e harmoniosa da arquitectura bizantina com a beleza natural.


A presença de tantos mosteiros, num lugar tão pequeno, assim como o exercício da vida espiritual Ortodoxa têm provocado a admiração e o interesse de pessoas de todo o mundo.


Os edifícios dos mosteiros parecem ser uma continuação ou o fim natural das rochas e representam um precioso tesouro artístico.


Finalmente, os mosteiros são transmissoras de cultura, que "como sabemos" não está retida em qualquer país.